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Análise do mapeamento cultural e desdobramentos do projeto

Prof.ª Drª. Cristine Tedesco

Prof.ª Me.ª Nina Picoli


Introdução


O projeto Gesta: cultura em crescimento foi desenvolvido por seis produtores culturais de Bento Gonçalves para atender uma demanda recorrente no município, a formação e capacitação de agentes culturais e fazedores de cultura. A proposta foi elaborada por Cristine Tedesco, Elisa Lentes, Eunice Pigozzo, Pedro Festa, Rogério Rodrigues e Nina Picoli, submetida ao edital Territórios Criativos do Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul (FAC-RS), no ano de 2022 e executada em 2023, com valor total de R$200.000,00 (duzentos mil reais).


A primeira etapa de execução do projeto foi a realização de oficinas com total de 20 horas de duração, contemplando conteúdos de pré-produção, produção e pós-produção, ministradas pelos produtores do projeto e realizadas no auditório da Praça CEU, localizada na Rua Calisto Orestes Sganzerla, nº 71, Bairro Ouro Verde, em Bento Gonçalves. As inscrições eram gratuitas, coletadas por meio de formulário eletrônico, após ampla divulgação nas mídias locais. O processo seletivo ocorreu por meio de edital de chamamento, através do qual foram recebidas 43 inscrições para uma oferta de 20 vagas. Os critérios de pontuação estavam circunscritos por questões de valorização da diversidade étnica, de gênero, pessoas com deficiência e priorização de vagas para pessoas residentes na Zona Norte do município, região compreendida no RS Seguro, tendo em vista o recorte territorial do projeto. Assim, foram selecionadas 25 pessoas, sendo cinco suplentes, considerando que durante os meses de oficinas poderia haver desistências, o que, de fato, aconteceu. 

Imagem 1. Abertura do projeto Gesta: cultura em crescimento. 

Foto: José Martim Estefanon.


A abertura do projeto foi realizada no dia 26 de abril de 2023, e as oficinas executadas de maio a julho do mesmo ano, com a seguinte programação:

  1. O que é Arte e Cultura? Ministrada por Cristine Tedesco e Elisa Lentes, com participação de Letícia Schneider Ferreira, do Núcleo de Estudos em Gênero e Sexualidade (NEPGS) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Bento Gonçalves. 

Ementa: Discutir conceitos de arte, cultura e diversidade cultural. Apresentar estratégias de inclusão e ações afirmativas para projetos e eventos culturais.

  1. Economia criativa. Ministrada por Rogério Rodrigues.

Ementa: Definição de economia criativa. Noções de marketing e comunicação na economia criativa. Apresentação de cases de economia criativa.

  1. Mapeamento cultural. Ministrada por Cristine Tedesco e Eunice Pigozzo.

Ementa: Noções de pesquisa e levantamento de dados. Discussão do conceito de mapeamento cultural e exemplos de mapeamentos realizados no município de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul e Brasil.

  1. Relacionamento interpessoal. Ministrada por Nina Picoli.

Ementa: Habilidades sociais no trabalho; comunicação assertiva e mediação de conflitos; convivendo com as diferenças. Atividade prática.

  1. Projeto Cultural I. Ministrada por Pedro Festa.

Ementa: Definição de projeto cultural. Etapas do projeto:  pré-produção, produção, pós-produção.  Exemplos de projetos culturais aprovados.

  1. Projeto Cultural II. Ministrada por Rogério Rodrigues e Pedro Festa.

Ementa: Tipos de financiamento de projetos. Leis de Incentivo à Cultura no município de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul e Brasil.

  1. Eventos culturais I. Ministrada por Pedro Festa e Nina Picoli.

Ementa: Concepção da ideia, programação do evento, orçamento.

  1. Eventos culturais II. Ministrada por Nina Picoli.

Ementa: Estrutura e logística de eventos. Cenografia e necessidades técnicas de sonorização, iluminação e projeção.

  1. Projetos e Eventos culturais I. Ministrada por Elisa Lentes.

Ementa: Divulgação - Mídias digitais e Assessoria de imprensa.

  1.  Projetos e Eventos culturais II. Ministrada por Pedro Festa.

Ementa: Prestação de contas e avaliação do projeto e evento.

Imagem 2. Encerramento das oficinas de produção cultural do projeto Gesta: cultura em crescimento. Foto: Helio Alexandre Fotografia.


Finalizadas as 20 horas de oficinas de capacitação em produção cultural, foi entregue a bolsa de incentivo no valor de R$1.000,00 (um mil reais) a cada participante com, no mínimo, 80% de frequência, totalizando R$20.000,00 (vinte mil reais). As bolsas estavam previstas no projeto, recurso importante para o incentivo à participação dos potenciais produtores culturais, que em geral são profissionais independentes do município. Entre as atividades propostas à turma durante as oficinas acima citadas, destacamos o mapeamento dos fazedores de cultura da Zona Norte de Bento Gonçalves e o evento final do projeto, intitulado Noite Ilustrada, dos quais falaremos no último tópico do artigo.  


Na segunda etapa do projeto foram ofertadas outras 20 vagas para oficinas de economia criativa, destinadas aos fazedores de cultura mapeados pela primeira turma. O processo seletivo foi discutido pelos produtores culturais do projeto, com questões norteadoras e critérios para contemplar a diversidade cultural da Zona Norte. Entre 143 (cento e quarenta e três) inscritos, 25 foram contemplados para participar das oficinas, sendo cinco suplentes. 

Imagem 3. Encerramento das oficinas de economia criativa do projeto Gesta: cultura em crescimento. Foto: Helio Alexandre Fotografia.


Os encontros aconteceram no auditório da Praça CEU e foram ministrados pela consultora Micheli Bueno, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) de Bento Gonçalves, com dez horas de formação em economia criativa e dez horas destinadas à criação de planos de negócios dos participantes. A conclusão dessa etapa foi o repasse de bolsas de incentivo no valor de R$1.000,00 (um mil reais) a cada participante com, no mínimo, 80% de frequência, totalizando R$20.000,00 (vinte mil reais). Dessa forma, contabilizando as duas etapas de oficinas, o projeto Gesta: cultura em crescimento, ofereceu R$40.000,00 (quarenta mil reais) em bolsas, fomentando o envolvimento das pessoas em todas as atividades propostas.   


2. Mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves


O mapeamento cultural da Zona Norte do município de Bento Gonçalves foi um desdobramento da oficina ministrada por Cristine Tedesco e Eunice Pigozzo, realizada na Praça Ceu, durante a primeira etapa do projeto Gesta: cultura em crescimento.

Para tal, foram discutidas ao longo da oficina questões como, noções básicas de pesquisa quantitativa e qualitativa, objetivos, entrevistas, levantamento de dados, entre outras, que pudessem capacitar as pessoas para realização do mapeamento. Além disso, o próprio conceito de mapeamento foi debatido junto ao grupo, para potencializar o entendimento e o alcance da proposta.


Nesse sentido, o mapeamento se constitui enquanto ferramenta essencial para o levantamento de dados da área cultural de determinada área geográfica ou segmento cultural e artístico. O exercício teve como objetivo principal conhecer agentes culturais, artistas, produtores e promotores culturais, espaços culturais públicos e privados, público em geral que participa dos eventos da região e etc. 

Com isso, pretendeu-se construir um espaço digital em que todas as pessoas interessadas pudessem obter informações atualizadas da cultura e identificar as circunstâncias em que ocorrem apresentações musicais, artísticas, espetáculos de teatro, sessões de cinema, lançamento de livros, exposições, festas e eventos populares, entre outros, na Zona Norte de Bento Gonçalves.


Algumas perguntas norteadoras foram utilizadas para elaboração do formulário, a exemplo de a) Quem são as pessoas fazedoras de cultura deste território? b) O que fazem? c) Onde fazem? d) Em quais segmentos atuam? e) Quais as formas de contato com os profissionais? f) Como se identificam em relação às questões étnicas e de gênero? g) Quais são os projetos culturais executados na região? Assim, as 38 questões preenchidas no formulário de mapeamento do projeto, apresentam informações relevantes para utilização das gestões públicas e do terceiro setor na formulação das políticas públicas e privadas relacionadas à cultura da Zona Norte.



3. Análise dos gráficos do mapeamento cultural

O território compreendido por Zona Norte de Bento Gonçalves, é formado pelos seguintes bairros, localidades, loteamentos e distritos: São Roque, Ouro Verde, Nossa Senhora Aparecida, Cembranel, Bertolini, San Marino, Universitário, Vinhedos, São João,  Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora do Carmo, São Vendelino, Zatt, Eulália, Tuiuty, São Valentim, Paulina, Faria Lemos, Alcântara, Rio das Antas e Nossa Senhora Medianeira. 


O mapeamento foi realizado por 19 pessoas que frequentaram as oficinas de produção cultural do projeto Gesta: cultura em crescimento, durante o período de 40 dias. Com a colaboração da equipe de produtores do projeto, foram mapeadas 143 pessoas fazedoras de cultura da Zona Norte, não atingindo a meta proposta, de alcançar 200 inscrições no formulário do mapeamento.  


Entretanto, consideramos que a atividade foi um exercício importante para a turma, que encontrou dificuldades para realizar as entrevistas. Diversos artistas e fazedores de cultura da Zona Norte, infelizmente, não aceitaram participar do estudo por desconfiança em relação ao uso das informações, mesmo com as estratégias utilizadas pelos Gestas (alunos das oficinas) no sentido de explicar que o mapeamento consistia na realização de uma pesquisa para conhecer o território no que se refere às pessoas atuantes na cultura, artistas e espaços culturais. Consideramos importante citar o fato para reforçar que os dados coletados não dão conta da totalidade de fazedores de cultura da Zona Norte.

Embora parcial, acreditamos que a partir da análise dos dados do mapeamento realizado no território acima citado, seja possível contribuir para o reconhecimento da Zona Norte no que se refere à diversidade, às linguagens artísticas dos fazedores de cultura e seus locais de trabalho e atuação.


4. Mapeamento cultural parte 1 - dados pessoais


O primeiro dado apresentado pelo mapeamento é em relação à faixa etária. A maior parte dos mapeados que residem ou trabalham na Zona Norte têm entre 24 e 57 anos, representando cerca de 62% do total (89 pessoas).

Em segundo lugar, aparece o número de pessoas na faixa etária de 13 a 24 anos, representando 21% (31 pessoas). Chamamos a atenção para o grupo formado por pessoas com 57 a 79 anos, nascidas entre 1944 e 1966. Constatamos que, pelo menos, 17% dos mapeados fazem parte dessa faixa etária, contabilizando 23 pessoas fazedoras de cultura, conforme o gráfico 1.


Gráfico 1: Faixa etária

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


De acordo com a socióloga brasileira Ana Maria Goldani (2010), a discriminação por idade é utilizada para demarcar indivíduos a quem são negados, sistematicamente, recursos e oportunidades que os outros desfrutam. As consequências desse processo são preconceito social, discriminação nos locais de trabalho e tendenciosidade no setor da saúde. 

A mesma autora destaca que a discriminação por idade é a terceira entre as cruéis formas de menosprezo mais presentes na sociedade, após racismo e sexismo. Nesse sentido, Goldani (2010), salienta que esse tipo de preconceito depende da estereotipagem e, muitas vezes, aparece por meio tanto de patrocínio “bem intencionado” como do aviltamento, da depreciação e da exclusão social.


Acreditamos que esses dados apresentados no artigo, através do mapeamento da Zona Norte de Bento Gonçalves, são instrumentos para a elaboração de políticas públicas que possam incluir esses profissionais no sistema da cultura do município, diminuindo as desigualdades de oportunidade nesse setor da economia.  

A pesquisa mostrou ainda, que a maior parte das pessoas reside na Zona Norte, mas trabalha em outras regiões da cidade. Entre os residentes, temos 107 profissionais, ou seja, 74,8% do total; enquanto apenas 25,2% trabalham no setor da cultura no território mapeado, isto é, 36 pessoas, de acordo com o gráfico 2.


Gráfico 2: Reside ou trabalha na Zona Norte.

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Às pessoas fazedoras de cultura, também foi perguntado sobre a formalização de suas atuações na área. Consideramos formalizadas aquelas contratadas por meio de instrumentos como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), podendo ser Microempreendedor Individual (MEI), empresa cadastrada no Simples Nacional, ou ainda outras formas de contratação de profissionais autônomos.

O mapeamento mostrou que 50,3% do total, 72 pessoas, são formalizadas; enquanto 49,7% não exercem trabalho formalizado na área da cultura, 71 pessoas, conforme o gráfico 3. Esse dado é importante de ser destacado, tendo em vista que o reconhecimento formal e o acesso aos editais culturais de valores mais significativos, na maioria dos casos, requer algum tipo de profissionalização, em geral um CNPJ ativo.


Gráfico 3: Exerce trabalho formalizado

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


No que se refere à origem das pessoas fazedoras de cultura da Zona Norte, foram apresentadas quatro opções no formulário de mapeamento: a) Local - pessoas com origem em Bento Gonçalves, b) Regional - pessoas com origem em outras cidades do estado do Rio Grande do Sul, c) Nacional - pessoas com origem em cidades de outros estados do Brasil, e d) Internacional - pessoas provenientes de outros países, esta última sem nenhum registro no formulário.

O gráfico 4 mostra que 67,8% dos fazedores de cultura são de origem local, com 97 respostas assinaladas. Por outro lado, quase 50 profissionais da cultura são de outras localidades, com 25,9% de origem regional, 37 pessoas, e 6,3% de origem nacional, 09 pessoas.


Gráfico 4: Origem da pessoa fazedora de cultura

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


A autoidentificação das pessoas fazedoras de cultura no que diz respeito às questões étnicas, pode ser observada no gráfico 5. Destacamos as seguintes porcentagens: 71,3% são brancas, 102 pessoas; 12% são pardas, 17 pessoas; 7% são negras, 10 pessoas; 3,5% são indígenas, 05 pessoas; e 6,2% preferiram não responder, 09 pessoas. Não foram obtidas respostas à alternativa referente à etnia amarela. 

Embora, o mapeamento apresente uma maioria branca entre os profissionais que atuam na cultura da Zona Norte, é importante destacar que 22,5% desses indivíduos, pelo menos 32 pessoas, se autoidentificam como negros, pardos ou indígenas, indicando a diversidade étnica da Zona Norte do município e Bento Gonçalves. 


Gráfico 5: Autodeclaração da pessoa fazedora de cultura

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Ao questionar as pessoas fazedoras de cultura sobre gênero, o mapeamento solicitava que fosse assinalada uma das seguintes alternativas: a) Mulher cis, b) Homem cis, c) Homem Trans, d) Mulher Trans, e) Pessoa não binária, f) Outro, ou g) Prefiro não responder. De acordo com o gráfico 06, das 143 pessoas mapeadas, 50,3% são homens cis, 72 respostas, 44,8% são mulheres cis, 64 respostas e 4,9 % preferiram não responder, 07 pessoas. Não foram obtidas respostas nas alternativas c), d), e) e f), homens trans, mulher trans, pessoa não binária e outro, respectivamente.


Gráfico 6: Gênero

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


É de conhecimento público que a sazonalidade e a informalidade dos segmentos culturais, afetam muito mais as mulheres, impactadas por questões como tarefas domésticas e familiares desiguais em relação aos seus parceiros. Além disso, as posições de poder e decisão também são campos de disputas e ainda temos pouquíssimas mulheres e pessoas LGBTQIAP+ em cargos com maior prestígio social, político e econômico. 


No setor cultural isso não é diferente. Quantas mulheres ministras da cultura já tivemos no Brasil? Quantas diretoras de cinema, maestras regentes de orquestra o estado do Rio Grande do Sul já teve? Quantas secretárias de cultura já foram nomeadas para esse cargo no nosso município? É preciso lembrar que as desigualdades são ainda maiores se levarmos em conta a atuação das mulheres negras e indígenas em diferentes posições na cadeira criativa e segmentos do setor cultural.


Ainda no contexto brasileiro, observamos nos últimos anos o surgimento de editais culturais públicos e privados específicos a nível estadual e federal, para mulheres e público LGBTQIAP+, com o objetivo de fomentar a equidade de gênero na economia da cultura, por meio da participação de curadoras, pesquisadoras, artistas visuais, produtoras, fotógrafas, atrizes, cineastas, agentes culturais e etc. Entretanto, também é preciso salientar as resistências dessas políticas em muitos municípios do Brasil, tendo em vista que dirigentes e conselheiros de cultura possuem antigas mentalidades caracterizadas por diversos tipos de preconceito e reproduzem estereótipos étnicos e de gênero em seus discursos e práticas. 

Com o intuito de demonstrar a diversidade dos fazedores de cultura da Zona Norte de Bento Gonçalves, o formulário de mapeamento também questionou as pessoas sobre sexualidade, por meio de um espaço opcional para descrição. Foram coletados os seguintes dados: 54,5% das pessoas preferiram não responder, 78 pessoas; 39,2% se descreveram como heterossexuais, 56 pessoas; 3,5% como bissexuais, 05 pessoas; 1,4% como homossexuais, 02 pessoas; e 1,4% como lésbicas, 02 pessoas.

De acordo com o gráfico 07, 6,3% dos fazedores de cultura da Zona Norte de Bento Gonçalves, ou seja, 09 mapeados, se entendem como pessoas LGBTQIAP+.


Gráfico 7: Sexualidade

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Acreditamos que para além de mapear os fazedores de cultura, suas origens étnicas, identidade de gênero e sexualidade, é de fundamental importância cruzar essas informações com os dados de pessoas que acessam os editais do Fundo Municipal de Cultura de Bento Gonçalves (FMC), do Sistema Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul (SEDAC-RS), entre outro, a exemplo dos editais da Lei Paulo Gustavo (LPG), Lei Aldir Blanc (LAB), Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS) e Lei Rouanet. O cruzamento dos dados permitirá ao Sistema de Cultura do Município de Bento Gonçalves, identificar as lacunas existentes, reconhecendo as disparidades e oportunizando processos formativos para os grupos que atuam na cultura da Zona Norte, mas que por inúmeras razões não participam dos editais culturais ou não tiveram seus projetos habilitados e contemplados.


Por fim, no que se refere à Pessoas com Deficiência (PCD), o mapeamento revela que, pelo menos 2,8% do total de fazedores de cultura possuem algum tipo de deficiência, conforme o gráfico 08. Foram descritos pelas próprias pessoas, quatro tipos de deficiência no formulário, deficiência visual (1 resposta) e deficiência motora (3 respostas). 


Gráfico 8: Pessoa com deficiência

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Para a elaboração de políticas públicas inclusivas, é necessário que os gestores reconheçam a existência dos profissionais com deficiência que atuam no setor da cultura. Fomentar a capacitação dos fazedores de cultura com deficiência, criando condições de acesso aos editais e sensibilizar todas as pessoas da cadeia produtiva da cultura, tanto para oferecer eventos e projetos com acessibilidade, mas também para a contratação de profissionais com deficiência nas equipes, são ações fundamentais para democratizar os recursos e os bens culturais.


5. Mapeamento cultural parte 2 - segmentos culturais

Os segmentos culturais que serão citados e analisados abaixo, não pretendem trazer tais informações como verdades únicas, e sim realizar uma análise a partir dos padrões que foram delimitados através de mapeamento feito no período e região pontualmente referenciados.

Gráfico 9: Artes plásticas ou visuais

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Tratando-se das Artes Plásticas e, ou Visuais, pode-se observar uma maior concentração de profissionais que atuam em Artesanato, são 20 pessoas, equivalem 32,2%. Isso sugere um interesse significativo ou uma demanda maior por atividades relacionadas ao artesanato dentro do campo das Artes Plásticas e, ou visuais, na região. Já com Fotografia, são 10 pessoas, sendo assim 16,1%. Pintura facial/ corporal somam-se 9 pessoas, ou seja, 14,5%. Desenho, 7 pessoas, com 11,2%. Design e Artes Digitais somam igualmente 3, cada uma, isto é, 9,6%. Pintura, são 4, o equiparam a 6,4%. Já as áreas de Origami, Tatuagem e Artes Gráficas foram 2 mapeados, em cada uma delas, compondo também 9,6%. Configurando um total de 62 trabalhadores de tais áreas, compondo o segmento.


Gráfico 10: Arte Urbana

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Ao observar o gráfico de número 10, que trata da Arte Urbana, constata-se que o Graffiti é a prática de destaque com 5 pessoas mapeadas, o que equivale a 26,3%. Já o Rap, MC’s e Breaking têm em comum a soma de 4 pessoas em cada um, ou seja, 21,05%, ou um total de 63,15%. Enquanto o Muralismo e a Fotografia de Rua, também empatam com 1 pessoa, 5,26%, então, 10,5%. Essa similaridade nas porcentagens pode indicar uma conexão cultural entre essas práticas, refletindo a interdisciplinaridade dentro da Arte Urbana. O segmento soma 19 mapeados. Essa representatividade destaca a importância cultural e artística da Arte Urbana dentro da comunidade mapeada. Ao fazer uma pesquisa aprofundada sobre o movimento de Arte Urbana na cidade de Bento Gonçalves, encontram-se evidências de que o segmento possui grande relevância e destaque na cultura local, estando frequentemente em evidência nas mídias, eventos e projetos da cidade. 


Gráfico 11: Audiovisual

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Quanto ao segmento de Audiovisual, constitui-se entre os mapeados 25 pessoas.  São eles: 20 pessoas que trabalham com Vídeos Multiplataformas, 80%; enquanto Iluminador e Técnico de Som possuem 1 profissional mapeado em cada um, o que são 8%, e em Cinema foram computados 3, ou seja, 12 %. Com tais dados, é possível afirmar que quanto a área de Cinema, Iluminador e Técnico de Som, pode-se dizer que é necessário avançar quanto a quantidade de profissionais disponíveis para tais funções na região.

Tendo em vista que o setor “[...] Audiovisual do estado do Rio Grande do Sul, é considerado um dos mais expressivos no Brasil[...]” (ABRANTES, 2003), é preciso destacar que ainda está fortemente concentrado na capital do estado, sendo necessário maior fomento do segmento nas cidades do interior. Tal descentralização, certamente tem a expandir a formação e profissionalização de um número maior de trabalhadores da área, desenvolvendo o audiovisual, consequentemente, de modo mais equitativo e sustentável em todo o estado. Para obter mais informações sobre o setor, indicamos a leitura indicada no rodapé.


Gráfico 12: Áudio

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Ao observar o gráfico que traz informações acerca do segmento de Áudio, infere-se que 5 são os profissionais Técnico, 71,42% e 1 são igualmente Rádio e Podcast, 14,28% cada, ou 28,56% de ambos. Estes conferem um total de 7 mapeados, neste segmento. A partir de tais números percebemos que o segmento de áudio tem ainda um número restrito de agentes na região, e que se faz necessário pensar ações para expansão do segmento, pensando em políticas públicas e de fomento que atraiam novos profissionais capacitados para o trabalho na área. Vale enfatizar a importância de qualificação de tais práticas no setor cultural, a produção de conteúdo de áudio de qualidade permite um produto e conteúdo produzidos com um nível superior. Promovendo assim um maior consumo, entrega e interesse  nessas produções.   


Gráfico 13: Artes Cênicas

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Ao analisar o segmento de Artes Cênicas, entende-se que a área da Dança é a mais expressiva, com 35 pessoas, sendo essas 71,4%. Teatro fica como segunda maior, com 8 pessoas, 16,3%. Maquiagem Artística em terceiro com, 4 pessoas, 8,16%. E Circo e Performance, ambas com 1 pessoa, sendo assim,  2,04% cada uma. Findando com 49 mapeados. Apesar de ser um segmento com um número extremamente representativo, vale observar que há uma predominância quanto a profissionais da Dança, pode se atribuir dentre outros tantos fatores, que a Dança tem grande fomento e visibilidade dentro da cidade de Bento Gonçalves, como pode ser concluído perante projetos, atividades, eventos e também pela mídia encontrada, o que contribui diretamente para expansão, interesse e profissionalização da área. Sendo assim, pode-se pensar que as demais áreas do segmento, tendo mais amparo do poder público municipal, também poderiam crescer e fortalecer-se.


No gráfico de número 14, nota-se que quem predomina são as Pessoas Escritoras, sendo elas 8, um equivalente a 72,72%. Quanto à pessoa contadora de histórias, são 2, compondo mais 18,18%. E sendo uma a Pessoa Editora, com mais 9,09%. Estas compõem 11 pessoas mapeadas no segmento. Partindo de tais informações pode se dizer que o segmento analisado está em fase de consolidação. Levando em conta que a cidade de Bento Gonçalves é uma cidade de pequeno porte em crescimento, tais números são representativos. 


Gráfico 14: Livros, leitura e literatura

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Sob esse contexto,  podemos pensar na dimensão brasileira com relação aos livros, a leitura e a literatura, sabe-se que infelizmente a leitura não é uma prática tão estimulada em nosso contexto, o que inevitavelmente impacta diretamente na quantidade de profissionais envolvidos com tal área. Para obtermos mudanças concretas é preciso defender que “[...] o livro é, sim, bem a ser propagado. Em um país em desenvolvimento, porém, com profundas marcas de desigualdades sociais, é preciso pensar modos de se alcançar sua democratização, que perpassam, invariavelmente, pela solidificação das políticas públicas de leitura”. (CORDEIRO, p.2, 2018).


Gráfico 15: Música

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


A partir dos dados fornecidos no gráfico, podemos afirmar que no total de 65 mapeados, 30 são pessoas Cantoras, 46,15%; 27 são Musicistas, 41,53%;  7 Compositoras, 10,76%  e apenas uma pessoa Técnica, 1,53%. Novamente, podemos perceber uma carência dos profissionais da técnica, ressaltando mais uma vez a necessidade de um impulsionamento na formação na área técnica. Assim como já mencionado, nas áreas da Dança e Arte Urbana, a Música também é uma das atividades que tem destaque no cenário cultural da cidade de Bento Gonçalves. 


Gráfico 16: Economia Criativa

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


A maioria significativa das pessoas envolvidas na Economia Criativa está concentrada nos segmentos de Produção de Conteúdo para Web e Produção Cultural, representando, respectivamente, 14 e 15 indivíduos. Esses dois grupos combinados compõem 80,54% do total. Pessoas dedicadas ao Web Design são menos numerosas em comparação, totalizando 2 indivíduos e representando uma parcela de 5,55%. Profissionais nas áreas de Publicidade, Costura Criativa, História, Moda e Cultura de Matriz Africana possuem uma presença mais equilibrada, com 1 indivíduo mapeado em cada uma dessas áreas. Em conjunto, esses segmentos constituem 13,85% do total. Essas conclusões destacam a predominância das áreas de Produção de Conteúdo para Web e Produção Cultural, indicando uma forte presença e relevância desses segmentos dentro do contexto da Economia Criativa analisada no gráfico. 


Gráfico 17: Equipamentos culturais

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Foram 37 os equipamentos culturais registrados, sendo eles: 4 Praças, 9 Igrejas, 2 Terreiros, 7 Centros Culturais, 7 Casas de Shows e Eventos, 4 Academias, um Teatro, uma Biblioteca, um Auditório e uma Universidade. A lista abrange uma ampla variedade de espaços culturais, refletindo uma rica diversidade na oferta de atividades culturais na região. Entretanto, o número com maior expressividade é o número de Igrejas, indicando uma forte importância da dimensão religiosa e espiritual para a identidade e cultura da região. Podemos pensar que tal fato condiz bastante com o crescimento progressivo nos últimos anos das Igrejas pelo Brasil todo.

Vale ainda destacar o número de Centros Culturais e também Casas de Shows e Eventos, que são espaços dedicados ao entretenimento e muitas vezes com a forte presença de expressões artísticas. É possível afirmar que estes lugares são, em grande parte, responsáveis pelo fomento e manutenção das atividades artístico-culturais.

A presença de uma variedade de equipamentos culturais sugere um potencial significativo para integração e colaboração entre diferentes formas de expressão cultural. Pode haver oportunidades para iniciativas interdisciplinares que envolvam diferentes tipos de espaços culturais.


Gráfico 18: Saberes tradicionais

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Quanto aos Saberes Tradicionais, os Grupos de Dança são os coletivos com maior expressividade numérica, com 16; seguidos pelos Corais, com 15, e Capoeira com 11. Enquanto as áreas de Gastronomia contam com 7, Ritos com 5. Já Cestaria, Culturas Populares e Movimento Tradicionalista com apenas 1, em cada uma delas. Os Grupos de Dança e Corais emergem como os coletivos mais expressivos numericamente, indicando uma ênfase significativa na expressão artística, musical e coreográfica dentro dos Saberes Tradicionais. Vale mencionar o destaque dos Corais sugere uma apreciação e preservação da tradição vocal e musical na comunidade, evidenciando o papel importante desempenhado pela música coral. Áreas como Cestaria, Culturas Populares e Movimento Tradicionalista contam com apenas um coletivo em cada uma. Isso pode indicar áreas onde os Saberes Tradicionais podem estar em risco de diminuição ou falta de continuidade, exigindo atenção para preservar essas práticas.

Ao trazer para este artigo a participação dos Saberes dos Povos Originários no mapeamento realizado, destacamos o quão fundamental é registrar e destacar esse segmento, buscando assim, um movimento contrário ao apagamento que os povos originários brasileiros enfrentaram e enfrentam até os dias atuais. É preciso ressaltar a importância do gesto, reconhecendo a riqueza e diversidade desses saberes.


Gráfico 19: Saberes dos povos originários

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Conforme representado no gráfico acima, a atividade de Pintura Corporal é a mais numerosa, com 6. Acompanhado de Ritos com 5, Gastronomia com 4, Danças com 3 e Música 1. Através destes dados percebe-se ainda uma quantidade restrita de pessoas de tal segmento mapeadas, o que chama ainda mais atenção para a necessidade de dar enfoque para os detentores de tais conhecimentos e cultura, para que não só não desapareçam como para que sua existência seja fortalecida. Como escrevem as pesquisadoras Christinne Costa Eloy, Danielle Machado Vieira, Camilla Marques de Lucena e Maristela Oliveira de Andrade:


O desafio é proteger esse conhecimento, não para que permaneça restrito a um pequeno grupo, mas para que possa dialogar com o conhecimento científico, superando a relação assimétrica, uma vez que ambas as formas de conhecimento, ainda que distintas, devem ser consideradas como complementares. A apropriação do conhecimento tradicional precisa ser revista e leis reformuladas a fim de que o conhecimento tradicional possa estar aliado à conservação, assim como sejam assegurados direitos de repartição dos benefícios às populações detentoras dele[...] (ANDRADE, ELOY, LUCENA e VIEIRA, p. 8, 2014)


No caso da Conservação e Restauro temos apenas Imagens Sacras, no mapeamento, e somente um registro. Levando em consideração a importância da conservação e do restauro para o patrimônio cultural de uma comunidade seria necessário expandir o apoio e formação para tal área e prática.

Gráfico 20: Conservação e restauro

*Fonte: mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Ao fim desta análise de gráfico vale considerar que no Plano Municipal de Cultura de Bento Gonçalves, documento de 2015, há sim um compromisso firmado e pensado para apoio de todos os segmentos, porém é necessário progredir com tais ações na prática, de forma mais condizente com a realidade do município. Assim como, se faz necessário uma atualização do mesmo documento, já que houveram muitas mudanças não apenas no setor cultural, mas também no contexto social do estado do Rio Grande do Sul e do Brasil.


6. Noite Ilustrada


O evento Noite Ilustrada, foi uma iniciativa do projeto Gesta: cultura em crescimento. Após 40 horas de residência artística para produtores culturais em formação e aperfeiçoamento, realizadas no período de 5 meses, que foi composta por oficinas e atividades com foco na produção cultural; como conclusão, os participantes planejaram e organizaram o evento multicultural pensado com foco na economia criativa, envolvendo artistas e empreendedores da região. Pensando em colocar em prática os conhecimentos explorados ao longo da residência, o projeto disponibilizou à turma o valor de R$30.000,00 para a execução do evento Noite Ilustrada, utilizado integralmente.


Imagem 4. Banner Noite Ilustrada. Foto: Joh Dorigon


Realizado no dia 21 de outubro de 2023, das 16 horas às 22 horas, na Praça CEU, localizada no bairro Ouro Verde, região periférica da Zona Norte de Bento Gonçalves, como mencionado anteriormente. Contou com uma programação extensa e diversa, tendo a participação de cerca de 15 artistas individuais e 7 grupos - aproximadamente 80 pessoas. Foram 16 feirantes, 2 tatuadores e 8 food trucks. O evento oportunizou 6 horas de atividades, com participação da Orquestra de Câmara de Bento Gonçalves, Dj Zonattão, banda Os Bardos da Pangeia, escola Abadá Capoeira, coletivo de Hip Hop Nest Support, coral God’s Messengers, grupo Mania D’Pagode, cantor Wladi Costa, artista Mano Leco, musicista Isabel Balbinot, MC Rafinha, grupo  de música GMCIC, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, campus Bento Gonçalves (IFRS), musicista Paula Albuquerque  e Júlio César, com o grupo DefG Crew, entre diversos outros artistas e fazedores de arte e cultura da cidade.

A estrutura do evento foi dividida em Palco Céu e espaços nomeados como: Estrelas, Infinitos, Sonhos, Cosmos e Galáxia, além da zona de gastronomia estabelecida na rua Calisto Oreste Sganzerla, em frente à praça. Cada um dos espaços tinha um tema específico para suas atividades, pensando em facilitar o acesso do público.


Imagem 5. Público no fim do evento. Foto: Joh Dorigon Fotografia


No espaço Infinitos, ocorreram 4 oficinas gratuitas, foram elas: Graffiti, com Angel Lucena, Desenho básico e Mangá, com Douglas Dias e Samba, com Patrick Machado. Com a participação de aproximadamente 45 pessoas. O espaço Sonhos, foi pensado para o público infantil, contando com Contação de Histórias realizadas por Mahrcia Carraro, Mágica, com William Longui, Brincadeiras com Arte em Balão, com Nilson Melo e Pintura Facial, feita por Susi Girardi. Já o espaço Cosmos foi dedicado à Astronomia, com oficina permanente sobre o tema para todas as idades, ministrada pelo matemático Javier Mendez. Dois telescópios ficaram disponíveis para que a lua em fase crescente, assim como, Saturno e Júpiter pudessem ser observados. 

O espaço Galáxia contou com a participação de 16 feirantes da economia criativa bentogonçalvense, em sua maioria identificados por meio do mapeamento cultural da Zona Norte do município, com ampla diversidade de empreendimentos e produtos.


Imagem 6. Espaço Galáxia. Feira Criativa do evento Noite Ilustrada. 

Foto: Joh Dorigon Fotografia


Como registro para a memória da praça, o artista Bernardo Duarte criou em uma das paredes um imponente graffiti, com o nome e identidade do evento Noite Ilustrada. A produção ficará para a posteridade como um marco simbólico e concreto do importante acontecimento que foi o evento para a cultura da Zona Norte e para a cidade de Bento Gonçalves.

Imagem 7. Graffiti em processo sendo feito pelo artista Bernardo Duarte. 

Foto: Joh Dorigon Fotografia


Para a realização do evento estiveram envolvidas em diferentes etapas de construção os integrantes das turmas das oficinas de produção cultural e de economia criativa, contando com a supervisão, acompanhamento e auxílio dos 6 produtores culturais proponentes do projeto Gesta: cultura em crescimento. Contou ainda com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, ginásio Madecenter e salão da comunidade do bairro Ouro Verde.

Cerca de 15 empresas foram contratadas e pagas para a execução do Noite Ilustrada, mobilizando assim, uma expressiva rede de trabalhadores da cultura, alimentando e movimentando a indústria criativa de Bento Gonçalves e região, econômica e simbolicamente. Um dos objetivos destacados pelo próprio edital de seleção do FAC Territórios Criativos (Edital SEDAC nº 05/2022).

Estima-se que aproximadamente 5 mil pessoas participaram e circularam pelo evento. Este teve um alcance e magnitude inéditos no bairro Ouro Verde, mobilizando moradores não apenas da região, como da cidade toda. Proporcionando uma troca cultural em que se pode destacar a intersecção de raça, classe e gênero, habitando e contemplando o mesmo espaço e acontecimento. Tal abrangência foi observada e comentada pelos próprios moradores da região ao longo do evento. Vale destacar, ainda a repercussão do projeto Gesta, bem como, o evento Noite Ilustrada em diversos veículos de mídia.

Imagem 8. Produtores culturais do projeto Gesta: cultura em crescimento. Da esquerda para a direita: Elisa Lentes, Pedro Festa, Eunice Pigozzo, Rogério Rodrigues, Cristine Tedesco e Nina Picoli. Foto: Joh Dorigon Fotografia.


Instagram do projeto Gesta: cultura em crescimento: https://www.instagram.com/gestacultural/  

Instagram do evento Noite Ilustrada: 


7. Considerações finais


O presente artigo apresentou, em linhas gerais, os desdobramentos do projeto Gesta: cultura em crescimento, desenvolvido por seis produtores culturais de Bento Gonçalves para atender uma demanda recorrente no município, a formação e capacitação de agentes culturais e fazedores de cultura. A proposta foi elaborada por Cristine Tedesco, Elisa Lentes, Eunice Pigozzo, Pedro Festa, Rogério Rodrigues e Nina Picoli, submetida ao edital Territórios Criativos do Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul (FAC-RS), no ano de 2022 e executada em 2023, com valor total de R$200.000,00 (duzentos mil reais).


Também foram discutidos os dados do mapeamento cultural da Zona Norte do município de Bento Gonçalves, realizado a partir da oficina ministrada por Cristine Tedesco e Eunice Pigozzo realizada na Praça Ceu durante a primeira etapa do projeto. A pesquisa de mapeamento coletou 143 formulários de fazedores de cultura do território.

Com a análise dos dados, buscou-se destacar as informações referentes aos nove blocos do formulário, faixa etária, reside ou trabalha na Zona Norte, formalização do trabalho no setor cultural, origem, autodeclaração étnica, gênero, sexualidade, deficiência e segmentos culturais dos fazedores de cultura. O artigo será encaminhado à Secretaria Municipal de Cultura de Bento Gonçalves (SECULT-BG), Programa RS Criativo, Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC-RS) e publicado no site do projeto https://www.gestacultural.com/

Por meio do cruzamento dos dados do mapeamento aqui discutido, juntamente com as informações dos Mapas Culturais do município, espera-se que a SECULT-BG possa utilizar as informações para o desenvolvimento de políticas públicas de fomento à economia criativa. Além disso, destacamos que seria importante interseccionar os dados referente ao mapeamento da Zona Norte, com o acesso aos editais culturais do Fundo Municipal de Cultura de Bento Gonçalves (FMC), Lei Paulo Gustavo (LPG), Lei Aldir Blanc (LAB), Fundo de Apoio à Cultura (FAC-RS), Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS), Lei Rouanet e outros editais públicos e privados.


Reforçamos ainda, a pertinência de oferecer capacitação continuada aos agentes culturais do município de Bento Gonçalves. As formações podem ser decisivas para o surgimento de projetos culturais de impacto aprovados e executados na cidade, estado e país. Esse é um processo que precisa de planejamento, organização, formação de equipes, captação de recursos, conhecimento da legislação e dos editais, competência de execução e prestação de contas, ou seja, a capacitação da pessoa produtora cultural é decisiva num contexto em que se pretende ampliar o acesso dos artistas e fazedores de cultura aos editais.  

Faz parte dessa noção de capacitação de produtores culturais, fomentar a elaboração de estratégias inclusivas e equitativas. Nesse sentido, acreditamos que partindo das informações obtidas no mapeamento cultural do projeto Gesta: cultura em crescimento, será possível sensibilizar os gestores públicos quanto a importância de promover programas contínuos e atualizados conforme as mudanças da legislação e alterações nos editais, garantindo o acesso de todas as pessoas à cultura e aos bens culturais no presente e no futuro. 


O projeto Gesta: cultura em crescimento foi financiado pelo edital Territórios Criativos do Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul (FAC-RS). Foi realizado pelas empresas do setor cultural: Ártemis - História, Arte e Cultura, Dom Quixote Livraria, Nest Support e Respira Produção Cultural. Com apoio do Programa RS Criativo, Núcleo de Estudos em Gênero e Sexualidade (NEPGS) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Bento Gonçalves, Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves e Secretaria Municipal de Cultura de Bento Gonçalves.



Fonte


Mapeamento cultural da Zona Norte de Bento Gonçalves, realizado no projeto Gesta: cultura em crescimento no período de 20 de mai. até 30 de jun. de 2023.


Referências Bibliográficas


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ANDRADE, Maristela Oliveira de; ELOY, Christinne Costa; LUCENA, Camilla Marques de; VIEIRA, Danielle Machado Vieira. Apropriação e proteção dos conhecimentos tradicionais no Brasil: a conservação da biodiversidade e os direitos das populações tradicionais. Gaia Scientia (2014) Ed. Esp. Populações Tradicionais. Disponível em: <https://www.researchgate.net/profile/Christinne-Eloy/publication/281020246_Apropriacao_e_protecao_dos_conhecimentos_tradicionais_no_Brasil_a_conservacao_da_biodiversidade_e_os_direitos_das_populacoes_tradicionais/links/589616afaca2721f0dabc291/Apropriacao-e-protecao-dos-conhecimentos-tradicionais-no-Brasil-a-conservacao-da-biodiversidade-e-os-direitos-das-populacoes-tradicionais.pdf>. Acesso em 04 dez. 2023.


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GOLDANI, Ana Maria (2010). Desafios do "preconceito etário" no Brasil. Revista Educ. Soc. 31 (111), Jun 2010. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0101-73302010000200007>.  Acesso em 20 nov. de 2023. 


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